A Guerra do Vietnam

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À beira do Mar da China, o Vietnam é uma nação com dois mil anos de idade, colonizada pela França, desde o fim do século XIX, chegou à independência em 1954, com o fim da guerra da Indochina. Mas, o país foi então dividido em dois Estados rivais, o Vietnam do Norte pró-soviético e o Vietnam do Sul pró-ocidental.

No Vietnam do Sul explodiu, então, uma rebelião comunista apoiada ativamente pelo Vietnam do Norte. Esta rebelião conduziu a uma nova guerra na qual se envolveriam, de um lado os EUA e seus aliados e, de outro, a URSS e em menor medida a China Popular.

De uma guerra a outra

Após os acordos de Genebra de 21 de julho de 1954, a divisão do Vietnam se agravou com a instauração no sul de uma ditadura sob o chicote de Ngo Dinh Diem e com a criação de um movimento de insurreição de oposição, a Frente Nacional de Libertação do Vietnam do Sul (FNL).

Seus combatentes (da FNL) eram qualificados pejorativamente de Vietcongs ("comunistas vietnamitas") por seus adversários. Eles se beneficiaram do apoio dos soldados do Exército Popular Vietnamita (APV). Esses "Bo doj" vinham do Vietnam do Norte de acordo com um plano de conquista elaborado pelo governo comunista de Hanoi.

A partir de 1961, o presidente americano John Kennedy enviou alguns militares disfarçados de conselheiros militares. Ele queria, a qualquer preço, salvar o regime de Diem para evitar a queda em cascata dos últimos regimes pró-ocidentais na Ásia, segundo a "teoria dos dominós" formulada pelo ex-presidente Einsenhower.

Porém, em junho de 1963, um monge budista se suicidou pondo fogo em si mesmo, em pleno centro de Saigon para protestar contra as "perseguições" a sua comunidade. Outros monges seguiram seu exemplo. O clima emocional contribuiu para a substituição de Diem por uma junta Militar.


 Bombardeio de uma cidade vietnamita (anos 1960)

Escalada fatal de 1964

Usando como pretexto a "agressão" de dois destroyers no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson lançou, a partir de 4 de abril de 1964, os primeiros ataques americanos sobre posições comunistas no Vietnam do Sul e obteve do Congresso plenos poderes militares para um comprometimento contra o Vietnam do Norte.

Americanos e vietnamitas começaram a bombardear o Vietnam do Norte em 7 de fevereiro de 1965.

Todavia, nunca chegaram a interromper a famosa "via Ho Chi Minh" nem as ligações marítimas pelas quais transitavam, de norte a sul, homens e materiais.  


Defesa Civil em Hanoi durante os bombardeios

A escalada alcançou seu auge com o bombardeio de cidades do Vietnam do Norte a partir de 29 de junho de 1966.
O general William Westmoreland, comandante do Corpo Expedicionário tinha conseguido, desde 1965, o envio de marines combatentes e não mais apenas como conselheiros.
Em 1968, chegou-se a contar mais de 500.000 americanos de uniforme no Vietnam do Sul. Esses soldados e seus aliados (50.000 coreanos, 7.500 australianos, 500 neozelandeses, 2.000 filipinos e 8.000 tailandeses) eram minoritários frente ao milhão de soldados que formavam o exército do Vietnam do Sul.
Os vizinhos Laos e Camboja foram logo atraídos para a guerra apesar de tudo. Sobre os três países indochineses foram lançadas três vezes mais bombas que durante toda a Segunda Guerra Mundial.
Um fato novo: pela primeira vez em um conflito, armas químicas - o napalm e o "agente laranja" - foram empregadas em larga escala. A Força Aérea dos EUA usou-os para queimar a "cobertura vegetal".

A desescalada
Em fevereiro de 1968, essa segunda guerra da Indochina (depois da que opôs os comunistas vietnamitas aos franceses) sofre uma reviravolta com a contraofensiva maciça do Vietcong, a "ofensiva do Têt" (do nome da grande festa de Ano Novo vietnamita). 
Nos campi da Califórnia e logo depois em todo o mundo ocidental, a contestação cresceu. As deserções tornaram-se numerosas e a revelação, em novembro de 1969, do massacre de My Lai só fez piorar as coisas.
O presidente republicano Richard Nixon, eleito em novembro de 1968 e reeleito quatro anos mais tarde, deu provas de realismo. Em 1970, ele ensaiaoua retirada de suas tropas e, em 1973, ele concluiu os acordos de paz de Paris pelos quais os Estados Unidos se comprometiam a retirar todas as suas tropas em 60 dias e o Vietnam do Norte a liberar todos os seus prisioneiros americanos.
A guerra prosseguiu entre vietnamitas até a queda de Saigon, dois anos mais tarde, deixando um balanço terrível do lado vietnamita. Os americanos lamentavam seus 58.000 mortos (cerca de duas vezes menos que durante alguns meses de sua intervenção na Primeira Guerra Mundial). Os vietnamitas, por seu turno, perderam 3,8 milhões de civis e militares, segundo Robert McNamara, algo como 8% de sua população. A esses somam-se os feridos, os mutilados e as vítimas do napalm e do "agente laranja".

Tradução: Argemiro Pertence